sábado, 15 de outubro de 2011

Um momento Tahrir em Wall Street


Por Micah White e Kalle Lasn, na Adbusters

No sábado, 17 de setembro, muitos de nós assistimos com admiração 5 mil americanos se deslocarem para o distrito financeiro de Manhattan, balançando cartazes, pregando faixas e começando a andar até a “Gomorra financeira” da nação. Eles prometeram “ocupar Wall Street” e “julgar os banqueiros”, mas a polícia de Nova York frustrou os seus esforços temporariamente, bloqueando a simbólica avenida com barricadas e postos de controle. Impassíveis, os protestantes deram voltas pela área antes de realizar uma assembleia popular e estabelecer um acampamento semipermanente de protesto num parque na Liberty Street, a um pulo de Wall Street.
Trezentos passaram a noite, algumas centenas de novos manifestantes chegaram no dia seguinte. Quando eles tuitaram para o mundo que estavam com fome, uma pizzaria próxima recebeu US$ 2.800 em pedidos para entrega em apenas uma hora. Parece que, a partir de agora, a polícia não acha que pode pará-los. A ABC News informa que “apesar de os manifestantes não terem uma permissão para protestar, o Departamento de Polícia de Nova York diz que não tem planos para remover esses manifestantes que parecem determinados a ficar nas ruas”. Os organizadores na área dizem: “Estamos nos entrincheirando para uma ocupação a longo prazo”. Agora o mundo está assistindo e imaginando: poderia ser essa a faísca de um momento Tahrir nos Estados Unidos?

#OCCUPYWALLSTREET (Ocupar Wall Street) foi inspirado pelas assembleias populares da Espanha e surgiu como um conceito a partir de um poster de página dupla na 97ª edição da revista Adbusters, mas foi encabeçado, orquestrado e completado por ativistas independentes. Tudo começou quando a Adbusters pediu a sua rede de agitadores culturais para inundar o sul de Manhattan, armar tendas, cozinhas e barricadas de paz, e ocupar Wall Street por uns poucos meses. A ideia pegou imediatamente em todas as redes sociais e ativistas não-filiados aproveitaram a proposta e construíram um site organizador de código aberto. Poucos dias depois, uma assembleia geral foi realizada na cidade de Nova York e 150 pessoas compareceram. Esses ativistas se tornaram o núcleo organizador da ocupação. 
A aura mística do Anonymous impulsionou a ação aos meios de comunicação dominantes. Seu videocomunicado apoiando a ação conseguiu 100 mil visitas e uma advertência do Departamento de Segurança Nacional aos banqueiros da nação. Quando, em agosto, os indignados da Espanha espalharam a notícia de que realizariam um evento solidário no distrito financeiro de Madri, ativistas em Milão, Valência, Londres, Lisboa, Atenas, São Francisco, Madison, Amsterdã, Los Angeles, Israel e outros se comprometeram a fazer o mesmo.
Nas ruas de todo o mundo existe um sentimento comum de que a economia global é uma farsa digirida por e para o Grande Capital. Pessoas de todos os lugares estão se dando conta de que existe algo fundamentalmente errado com um sistema em que as transações financeiras especulativas ultrapassam, diariamente, 1,3 bilhões de dólares (50 vezes mais do que a soma de todas as transações comerciais). Enquanto isso, de acordo com um boletim das Nações Unidas, “nos 35 países nos quais existem dados, aproximadamente 40% dos que procuram por emprego estão sem trabalho há mais de um ano.”
“Diretores executivos, as grandes corporações e os ricos estão tomando muito de nosso país e acho que é a nossa hora de tomar de volta”, diz um ativista que se uniu aos protestos sábado passado. Jason Admadi, que viajou de Oakland, Califórnia, explicou que “muitos de nós sentimos que existe uma grande crise na nossa economia e grande parte dela é causada pelas pessoas que fazem negócios aqui”. Bill Steyerd, um veterano do Vietnã do bairro do Queens, disse: “é uma causa que vale a pena porque as pessoas em Wall Street são sanguessugas fomentadoras da guerra”.
Não há apenas raiva. Há também um sentimento de que as soluções padrões para a crise econômica proposta pelos nossos políticos e economistas renomados – estímulo, cortes, dívida, baixas taxas de juros, encorajamento do consumo – são opções falsas que não vão funcionar. Mudanças mais profundas são necessárias, como uma taxa “Robin Hood” sobre as transações financeiras, reinstaurar a Lei Glass-Steagall nos Estados Unidos, implementar uma proibição para as operações flash de maior frequência. Os bancos “muito grandes para quebrar” devem ser fragmentados, reduzir seus tamanhos e feitos para servirem às pessoas, à economia e à sociedade novamente. Os fraudadores financeiros responsáveis pela crise de 2008 devem ser julgados e receber longas penas penitenciárias. Depois, existe a solução mãe de todas as outras: repensar totalmente o consumismo ocidental que questiona como medimos o progresso.
Se os atuais males econômicos na Europa e nos Estados Unidos entram em uma espiral de prolongada recessão global, os acampamentos populares se converterão então em mobiliário fixo dos distritos financeiros e dos mercados de ações mundo afora. Até que não se escutem nossas demandas e não se reformem de forma essencial o regime econômico mundial, nossos acampamentos urbanos seguirão surgindo por todos os lados.
Bravo àquelas almas corajosas no acampamento de Liberty Street em Nova Iorque. Cada noite em que o #OCCUPYWALLSTREET continuar vai aumentar a possibilidade de uma revolta global de plenos direitos contra os negócios convencionais.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Atenção ao calendário


Car@s,

Conforme os procedimentos propostos e discutidos na primeira aula, serão realizados cinco seminários temáticos na disciplina Linguagens e Informação em Novas Mídias. 
Os grupos, formados por seis alunos, deverão apresentar sua pesquisa de forma criativa, utilizando (no todo ou em parte) pelo menos uma linguagem e/ou recurso multimídia, que permitam o debate posterior e a sistematização dos conceitos trabalhados.

Fiquem atentos ao calendário dos seminários:

19 de novembro - Captação da informação e novas mídias digitais;
26 de novembro - Processamento da informação no universo 3.0;  
3 de dezembro -  Produção de informação e concentração midiática; 
10 de dezembroPartilha e linguagem na sociedade global; 
17 de dezembro - Acúmulo/memória e classes subalternas.

A bibliografia básica e complementar os auxiliarão na pesquisa, assim como uma bibliografia especifica que será entregue a cada grupo.

Bom trabalho e boa viagem pelo espaço do conhecimento!

MidCult - IV - Linguagens e Informação em Novas Mídias

Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) / Centro de Estudos Latino-americano sobre Cultura e Comunicação (Celacc) / Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Mídia, Informação e Cultura (MidCult)
Disciplina -  Linguagens e Informação em Novas Mídias
Professor - Profa. Ms. Maria Bernardete Toneto

EMENTA:
A disciplina enfoca o desenvolvimento e a importância das novas mídias comunicacionais  na sociedade contemporânea e, a partir de uma visão crítico-dialética, enfoca seu impacto na captação, processamento, produção, partilha e memória da informação, por meio de pesquisa, partilha de conhecimento e produção de reflexão teórica-conceitual veiculada em linguagens transmidiáticas.


CONTEÚDO
1. Introdução; 2. A sociedade em rede - conceitos; 3. Informação no cenário da cibercultura e virtualidade; 4. Simulacro e simulações da realidade; 5. Lógica discursiva midiática na sociedade contemporânea; 6. Linguagem, interação e interatividade; 7. Linguagem, hegemonia e resistência; 8. Captação da informação e novas mídias digitais; 9. Processamento da informação no universo 3.0; 10. Produção de informação e concentração midiática; 11. Partilha e linguagem na sociedade global; 12. Acúmulo/memória e classes subalternas; 13. As narrativas transmidiáticas e as mídias emergentes; 14. Interfaces da informação, arte e tecnologias. 15. O papel do produtor e disseminador de informação em cultura;.

AVALIAÇÃO
Participação na disciplina
Geração de conteúdo veiculado em rede (midcult4@blogspot.com)
Seminários temáticos, em grupo
Monografia individual final em nova mídia

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BAUDRILLARD, J. Simulacros e Simulações. Lisboa: Relogio D'Agua, 1991.
BAUMAN, Zigmunt. Globalização: consequencias humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1999.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. Vol.I. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007. Disponível em: http://www.4shared.com/document/0jn_fuk7/CASTELLS_Manuel_A_sociedade_em.html
_________.  A Galáxia da Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2003. Disponível em: http://books.google.com/books?id=nCKFFmWOnNYC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
DEBORD, G. A Sociedade do Espetáculo. Disponível em: http://www.arq.ufsc.br/esteticadaarquitetura/debord_sociedade_do_espetaculo.pdf
IANNI, Octavio. O Príncipe eletrônico. Campinas: IFCH/Unicamp, 1998.
JENKINS, Henry. Cultura da convergência. 2 ed. São Paulo: Aleph, 2009.
LÉVY, Pierre. Tecnologia da inteligência – O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1994.
__________.O que é virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.
MANOVICH, Lev. Novas mídias como tecnologia e idéia: dez definições. In: Lúcia Leão (org.). O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias. São Paulo: Editora SENAC, 2005.


BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
COSTA, Mário. O sublime tecnológico. São Paulo: Experimento, 1995.
CHOMSKY, Noam. Linguagem e mente: pensamentos atuais sobre antigos problemas. Brasília: Editora UnB, 1998.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.
MCLUHAN, Marshall. Meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo:Cultrix. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=wFvBeU1jVwIC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
ROMANÍ, Cristobal cobo; KUKLINSK, Hugo Pardo. Planeta 2.0. Inteligencia colectiva o medios fast food. 2007. Disponível em: http://www.planetaweb2.net/

sábado, 8 de outubro de 2011

Como comunidades digitais auxiliam no posicionamento de marcas e produtos

As comunidades desde sempre existiram, grupos de pessoas se reuniam em determinado local para discutir ideias sobre determinado assunto/objetivo. Com a evolução da internet e a possibilidade de criar redes sociais no ambiente online, ficou muito mais fácil realizar esses encontros.
Fóruns, blogs, comunidades no Orkut e as atuais Fã Pages, no Facebook, abriram canais para as marcas exporem seus produtos e para os consumidores compartilharem seus pensamentos em relação a eles, tanto positivos como negativos.
Essas comunidades auxiliam o posicionamento da marca fazendo o gerenciamento do relacionamento entre ela e seus clientes. É um local onde podem dialogar diretamente com as pessoas e, o mais importante, ouvir o que o mercado demanda. Além disso, quem é esperto faz de sua comunidade fonte de informação e cultura, através de interação e aproximação. Mas, para isso é preciso tomar cuidado, nas comunidades digitais um comentário ou ação pode tomar grandes proporções e levar uma marca ao seu ápice ou a sua derrocada.
Podemos exemplificar como algumas marcas têm mantido seus posicionamentos através dessas comunidades. A Penalty, marca de artigos esportivos, não publica mensagens apenas sobre seus produtos, mas utiliza o espaço para se relacionar com seu público de maneira descontraída e que os convide a interagir na Fã page. Para isso cria campanhas, onde a participação do público é essencial, por exemplo, a ação “Eu abro mão”, em parceria com o Vasco. A marca mistura a história do clube com causas sociais: combate ao racismo e preconceito no futebol, dentro e fora dos campos. Através de um aplicativo no Facebook, a Penalty convida 1.923 pessoas a fotografarem suas mãos pela webcam. Depois, as imagens captadas serão utilizadas para estampar os muros do Estádio de São Januário, do Vasco da Gama, ao lado de grandes nomes do clube[i]. Aliada as campanhas institucionais, eles também publicam resultados de jogos, notícias do mundo futebolístico e enquetes sobre as partidas. A comunidade vai além de propagar seu nome, mas também se caracteriza como um feed de notícias para os amantes do futebol.
Estas ações contribuem para que os consumidores se sintam parte integrante da marca e, consequentemente, passem a citá-la em outras comunidades. Cada um que falar aos seus amigos o quanto ela é importante ou o que faz de bacana, é um propagador que pode render lucros a empresa, ajudando-a a manter seu posicionamento.
Acredito que com as comunidades, as marcas precisam investir no relacionamento, pois se ele for positivo as vendas subirão. É como continuar a dizer o que ela vende, mas agora sem mostrar os produtos, mas sim o que importa e faz parte do seu universo, como apoio a causas sociais, notícias do ramo e, principalmente, deixar quem participa dessa comunidade (consumidor) mostrar e compartilhar o que também é importante para ele.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Para entender as redes sociais

Construído colaborativamente, sob licença Creative Commons, o e-book "Para entender as redes sociais" tem organização de Ana Brambilla. Reúne artigos escritos por profissionais de várias áreas que abordam vários aspectos das redes digitais e sociais. Há textos sobre Jornalismo Cidadão e Colaborativo, Marketing Digital, Social Media Day, métricas novas mídia.


A capa é do designer Rogério Fratin, inspirado na ideia das mídias sociais relacionadas com o antropocentrismo. Há um detalhe na arte: no lado esquerdo, aparece um "pedaço" de etiqueta, como se fosse o escaneamento de uma obra surripiada de uma biblioteca. Ou seja, nada mais que uma alusão divertida à propriedade intectual dos conteúdos que circulam pelo ciberespaço.

Para ter acesso e fazer o dowload do e-book clique aqui

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mas afinal, o que é o virtual?

Jornalistas, publicitários, literatos, agitadores culturais, companheiros nesta viagem pelo e para o conhecimento! Foi muito bom encontra-los e saber mais de seus interesses em geral, e de cada um em particular.
No nosso próximo encontro, neste sábado dia 8 de outubro, vamos conversar mais sobre esse "enigma" da virtualidade e do papel da informação neste contexto em transmutação. Para auxiliar o olhar dessa paisagem desconhecida, recomendo a leitura do primeiro capítulo de "O que é o virtual?", do filósofo francês Pierre Levy. O link para baixar o livro é:
 http://books.google.com.br/books?id=IeNw_sOADVEC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false

Aproveite para ouvir o Gil cantando o mesmo tema.

sábado, 1 de outubro de 2011

O Príncipe Eletrônico

Em Enigmas da Modernidade Mundo, o professor Octávio Ianni dedica um capítulo ao que ele chamou de "O Princípe Eletrônico", metáfora sobre o papel da mídia em tempos de globalização e tecnologia. Abaixo, o link de uma exposição de Ianni no XXI Encontro Anual da Anpocs, em outubro de 1998.


Professor Octavio Ianni, em palestra na Unicamp (Foto: Nelson Cantali)